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Pesquisa Abrappe revela que perdas no varejo brasileiro ultrapassam R$ 42 bilhões

Resultado pesquisa

A Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (Abrappe) divulgou, no dia 10 de junho, na Arena Magalu, em São Paulo, os resultados da 9ª Pesquisa Abrappe de Perdas no Varejo Brasileiro, realizada em parceria com a Protiviti. O estudo, considerado a principal referência do setor na América Latina, mostra um cenário que acende o alerta para varejistas de todos os segmentos: as perdas cresceram em ritmo superior ao faturamento do varejo e alcançaram a marca de R$ 42,1 bilhões em 2025

Mesmo com o varejo brasileiro registrando crescimento de 6,4% no faturamento, totalizando R$ 2,55 trilhões, o impacto financeiro das perdas avançou 15,3% em relação ao ano anterior. O índice médio de perdas passou de 1,51% em 2024 para 1,65% em 2025, representando uma alta de 9,27%.

Na prática, isso significa que a cada R$ 61 vendidos pelo varejo brasileiro, R$ 1 foi perdido por falhas operacionais, furtos, fraudes, rupturas, problemas logísticos e outras ocorrências que impactam diretamente a rentabilidade das empresas. “As perdas cresceram mais do que o varejo. Enquanto o faturamento avançou 6,4% em 2025, o impacto financeiro das perdas aumentou 15,3%. Isso reforça que a prevenção de perdas precisa ser tratada como prioridade estratégica”, afirma Carlos Eduardo Santos, presidente da Abrappe.

 

Segmentos que mais sofreram com as perdas

A pesquisa revelou diferenças significativas entre os diversos formatos do varejo. O segmento de eletromóveis apresentou o pior desempenho do levantamento. As perdas totais cresceram 278,2%, enquanto as perdas não identificadas — categoria que engloba furtos e fraudes omnichannel — registraram aumento de impressionantes 641,8%. O avanço do comércio digital e a complexidade da operação omnichannel aparecem entre os fatores que ajudam a explicar esse cenário.

No setor de perfumarias, as perdas operacionais cresceram 319%. Os principais fatores estão relacionados ao controle de validade, manipulação inadequada de produtos, avarias e exposição de mercadorias.

Já o varejo de conveniência apresentou o maior índice da pesquisa, atingindo 3,81%. O resultado representa alta de 24,5% em relação ao período anterior e está fortemente associado à gestão de produtos perecíveis e à menor estrutura de prevenção de perdas em comparação a grandes redes. “Uma das hipóteses consideradas pelo mercado é que mudanças nos hábitos de consumo, relacionadas às canetas emagrecedoras, estejam impactando a demanda por determinadas categorias de conveniência. Já o varejo farma foi afetado pelo aumento de furtos”, explica Carlos Eduardo Santos.

 

Farmácias mantêm estabilidade, mas enfrentam furtos

 O setor farmacêutico registrou estabilidade no índice geral de perdas, que permaneceu em 1,24%. Por outro lado, houve aumento significativo dos furtos de medicamentos de alto valor agregado, especialmente produtos da categoria GLP-1, como o Ozempic.

Nem todos os segmentos apresentaram piora. Os atacarejos registraram redução de 22,8% nas perdas, consolidando-se como um dos formatos mais eficientes em gestão operacional e controle de estoque. Outro destaque positivo foi o segmento de artigos esportivos, que reduziu em 63,2% suas perdas não identificadas.

Segundo a pesquisa, os investimentos em tecnologias como RFID, analytics, monitoramento inteligente, automação de processos e controles antifurto tiveram papel decisivo nesses resultados.

Veja como ficaram as perdas em alguns segmentos do varejo avaliados pela Pesquisa Abrappe:

  • Mercado (loja de conveniência) – 3,8%
  • Mercado (loja de vizinhança) – 3,01%
  • Supermercado convencional – 2,50%
  • Hipermercado – 2,08%
  • Perfumarias – 1,55%
  • Atacados e Atacarejos – 1,43%
  • Farmácias e Drogarias – 1,24%
  • Magazine Nacional – 1,18%
  • Materiais de construção – 1,01%
  • Eletromóveis – 0,59%
  • Esportes – 0,45%
  • Magazine Regional – 0,45%

 

Uma pesquisa como referência mundial

Para Carlos Eduardo Santos, a evolução da pesquisa ao longo dos anos transformou o levantamento em uma referência internacional. “A pesquisa é referência não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina. Eu costumo dizer que ela é uma das mais completas do mundo em termos de complexidade e profundidade. Ela reúne indicadores de perdas, ruptura, acuracidade, NPS, produtividade, finanças e operações. É uma visão transversal que poucas pesquisas conseguem oferecer”, disse.

Os resultados da 9ª Pesquisa Abrappe deixam uma mensagem clara para o varejo brasileiro: em um cenário cada vez mais competitivo, prevenir perdas não é apenas uma atividade operacional. Trata-se de uma estratégia essencial para proteger margens, aumentar a rentabilidade e garantir crescimento sustentável.

 

Fórum Abrappe reúne lideranças do varejo

Os resultados da pesquisa foram apresentados durante o Fórum Abrappe de Prevenção de Perdas. O evento reuniu executivos de algumas das principais empresas do país para discutir estratégias, tendências e desafios relacionados à prevenção de perdas, segurança corporativa e eficiência operacional.

O Painel de CEOs contou com a participação de Fábio Farina (CEO do Dia Supermercados), Paulo Serrano (diretor-geral de Varejo da Natura para a América Latina), Erlon Ortega (presidente da Associação Paulista de Supermercados/APAS) e Rodrigo Gaspi (diretor-geral da Di Gaspi). A mediação ficou a cargo do jornalista Darlisson Dutra.

Já o painel de executivos teve moderação de Osmar Aguiar (diretor de Prevenção de Perdas da Leroy Merlin) e participação de Bruna Habka (diretora-executiva do Grupo Big Box/Ultrabox),  Rogério Carvalho (diretor de Segurança Corporativa da Magalu), Francisco Santos (diretor de Engenharia e Operações da Escala) e Denis Dayan (diretor de Supply Chain da Mercadocar).

Para Emerson Carreiro, gerente de Prevenção de Perdas do Nagumo Supermercados, a troca de experiências entre os diversos segmentos do varejo é um dos grandes diferenciais promovidos pelo Fórum Abrappe. “A gente sabe que aqui no Brasil a área de prevenção de perdas já está há quase 30 anos se desenvolvendo, especialmente no varejo alimentar. Quando vemos outros setores cada vez mais trabalhando com isso, percebemos como essa troca de experiência é importante. Conseguimos trazer insights para pensar prevenção de perdas e como cada área pode agir para reduzir impactos. O comercial comprando melhor, a logística entregando qualidade, a operação expondo corretamente os produtos e a prevenção de perdas trabalhando em conjunto com todas essas áreas”, argumentou.

A mesma visão é compartilhada por Mônica Reimberg, do Sonda Supermercados. “Isso alavanca resultados, proporciona melhores comunicações dentro das empresas, com os clientes e com o mercado. A Abrappe é fundamental para a prevenção de perdas e representa muito do que existe hoje no varejo brasileiro”, destacou.

Durante o evento, Rogério Maia, da C&A, destacou a importância da prevenção de perdas como um tema estratégico para empresas de todos os portes.

“Hoje os temas de prevenção de perdas são debatidos em todas as empresas, sejam pequenas, médias ou grandes. E eu sempre digo: vende mais quem perde menos. Isso é fundamental. O lucro vem do controle, da gestão e da eficiência”, disse.

Anfitrião do evento, Frederico Trajano, CEO da Magalu, reforçou a importância do tema para a sustentabilidade dos negócios. “Eu sei que existem empresas que ainda tratam prevenção de perdas como um tema secundário. Para nós, no Magalu, esse assunto ganhou importância estratégica depois de um episódio traumático que vivemos em um centro de distribuição. Desde então, entendemos que segurança patrimonial e prevenção de perdas precisam fazer parte da estratégia da companhia”, argumentou.

 

O que a prevenção de perdas pode aprender com o esporte?

Um dos momentos mais marcantes do fórum foi a palestra do ex-nadador e medalhista olímpico Fernando Scherer, o Xuxa. Ao relacionar a alta performance esportiva à gestão de perdas, ele destacou que a identificação dos erros é parte fundamental do processo de evolução. “Toda grande conquista vem acompanhada de perdas. A gente aprende a perder, mas aprender a perder não significa se acostumar com a perda. Significa entender onde estão os erros para corrigi-los”, disse.

Segundo o atleta, a busca pela excelência exige disciplina, método e acompanhamento constante dos indicadores. “Um porcento de perda recuperada representa 1% de lucro. Não é 1% de venda, é lucro direto. Por isso a gestão de perdas precisa ser observada com atenção cirúrgica”, comparou.

 

Um presente para os profissionais de prevenção de perdas

Convidada especial do Fórum Abrappe, a deputada estadual Camila Godói anunciou importantes avanços legislativos voltados ao reconhecimento e fortalecimento da atividade de prevenção de perdas no Estado de São Paulo. Entre as iniciativas apresentadas está o Projeto de Lei nº 14/2026, que institui oficialmente o Dia do Profissional de Prevenção de Perdas, a ser celebrado anualmente em 19 de setembro, data de fundação da Abrappe.

A parlamentar destacou que a criação da data tem como objetivo ampliar a conscientização sobre a importância da prevenção de perdas, promover capacitação profissional e estimular debates permanentes sobre eficiência operacional e gestão de riscos. Camila Godói também ressaltou o papel da Abrappe na construção dessa agenda e afirmou que seu mandato está comprometido com o fortalecimento institucional do setor.

Além do reconhecimento oficial da profissão, a deputada disse que está andamento na Assembleia Legislativa outro projeto considerado estratégico para o varejo paulista: o Programa Estadual de Proteção ao Ambiente Comercial e Varejista, conhecido como Varejo Protegido. A proposta estabelece diretrizes para prevenção de perdas, combate à criminalidade e integração tecnológica entre empresas e órgãos de segurança pública.

Entre os principais pontos do projeto está a criação da Delegacia do Varejo, estrutura especializada destinada ao atendimento de comerciantes e varejistas, com foco na investigação de furtos, roubos, fraudes e crimes patrimoniais que impactam diretamente a atividade econômica. “Não aceitaremos mais que a criminalidade e a ineficiência penalizem quem trabalha, quem entrega e quem produz. Um varejo mais protegido é um varejo mais forte. E um varejo forte impulsiona São Paulo e o Brasil”, declarou.

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